Êxodo

 

            Tem como figura dominante Moisés, que enche o livro inteiro.

                        1,1-15,21: saída do Egito

       Êxodo      15,28-18,27: a caminho do Sinai

                        19,1-40,38: Aliança e legislação

                         9,1-24,14: teofania do Sinai e entrega do Decálogo

            Como os Evangelhos estão para o NT, o Êxodo está para o AT.

            O Êxodo também aparece como “pano de fundo” de toda a história da salvação.

 

Êxodo do Egito

saída da Babilônia

1a vinda do Messias

2a vinda do Messias (Parusia) 

            Cf. Jr. 31,1-34; Is 40-45 (saída da Babilônia)

            O referencial ao Êxodo é freqüente: Os 9,10; 11,1-4; 12,9-13,6; Jr 2,2-7; 11,1-8

            O NT (sobretudo o 4o Evangelho) faz toda uma tipologia do Êxodo.

 

Jo1, 14

Ex 40,34s

tenda

1,29 12,1 cordeiro
6,22-59 16,1-26 maná
7,37ss 17,1-7 água da pedra
19,36 12,46 cordeiro de pásoca

            Além disso, temos também outras alusões a Moisés e Jesus: Jo 1,17; Mt 5,21-48; 2,13-15; Jo 3,14.

            Há duas cronologias da saída do Egito: uma baixa e outra alta

            1) Cronologia baixa: 1240-1220 a.C. - baseia-se em razões arqueológicas. Cf. Ex 1,11: o faraó Ramsés II viveu entre 1290-1224 a.C. e manda construir a cidade de Pi-Ramsés. Certamente foram os hebreus que a construíram. Esta é a datação mais provável .

            2) Cronologia alta: sob Amenofis II (1450-1425 a.C.): baseia-se em 1Rs 6,1 onde se fala da construção do Templo por Salomão. Este 4o ano do reinado de Salomão corresponde   ao ano 960 a.C. Os Israelitas já estavam na terra prometida a 480 anos. Então o Êxodo teria ocorrido em 1440. Mas tal datação é menos usual, pois recua muito. Ademais, os anos contados pelos judeus não são muito precisos, pois eles tinham uma intenção de simetria. Então, é uma cronologia fictícia, que não pode ser tomada como fonte histórica.

 

            * Ex 7,14-12,36: As 10 pragas do Egito

1.      Água >> sangue

2.      rãs

3.      mosquitos

4.      vespas

5.      peste no gado

6.      tumores

7.      geada

8.      gafanhotos

9.      trevas

10. Morte dos primogênitos

            Estas pragas devem ter terminado no mês de abril, quando o povo celebrava a páscoa, lembrando a saída o Egito.

            Quanto ao começo, temos notícias que permitem datá-lo. Em Ex 3,1 Moisés apascenta o rebanho. Então, estava no verão. Ex Ex 5,2, os israelitas confeccionavam a palha. Esta procura de material para fazer a palha supõe  os meses de maio/julho (primavera no hemisfério norte).A 1a praga começa em 6,1; o que acontece anualmente no mês de julho que é que quando se dá a enchente do Nilo, devido ao degelo na Etiópia. Essas águas levam consigo o barro, que avermelha a água. Ex Ex 7,22, depois que a água foi transformada em “sangue”, os magos do Egito fizeram o mesmo, o que não era um fato tão extraordinário assim, mas natural. Também a 2a praga é reproduzida pelos magos (Ex 8,3).

 

            As pragas não são necessariamente um milagre. Este pode ser quanto à substância e quanto ao modo. A ressurreição de um morto, por exemplo, é quanto à substância, pois é intrinsecamente milagrosa. Mas uma tempestade em um dia de sol é quanto ao modo, pois há tempestade de modo natural.

            Daí se dizer que as pragas, exceto a última (que é por substância) são milagres quanto ao modo.

            Quando há uma enchente, os animais que nascem na água se multiplicam. Logo, se explicam a 2a e a 3a pragas.

            A invasão das vespas (4a praga) provoca  pestes no gado (5a praga) e tumores nos homens (6a praga). A geada (7a praga) acontece no Egito em fevereiro e os gafanhotos (8a) em março, de acordo com Jl 1,4 e Am 4,9. As trevas (9a) corresponde a um vento chamado Khamsin ou Sinum. Este vento vem do deserto trazendo areia, que fica suspensa no ar cerca de 2 ou 3 dias, as vezes até 6. Com isso, a superfície da terra fica escura.

            A 10a praga é a única que não se explica de forma natural.

              * A vara que se transforma em serpente (Ex 7,10-13)

            A explicação é que os egípcios e os orientais lidavam freqüentemente com serpentes  e mediante encantamentos as utilizavam para muitos fins. Há um tipo de serpente em cuja cabeça um nervo pode ser delicadamente  comprimido, o que provoca caimbras em todo o corpo da serpente, de modo que ela fique dura como um bastão. Depois, desfeita a pressão e atirada a serpente no chão com força ela volta  ao normal. O fato da serpente de Aarão ter devorado as outras é sinal de que a sabedoria de Deus é maior que a dos homens.

            * Ex 14,5-31 - a travessia do Mar  Vermelho 

            O Mar Vermelho e o Mediterrâneo antigamente comunicavam-se entre si. Havia até um  porto de Corzum, que hoje está em terra, mas no tempo de Moisés era na margem. Na Idade Média era de onde partiam os navios para as Índias. Hoje é só ruínas. Sendo assim, é possível que Moisés tenha passado por um vão, que é quando a maré baixa e a terra seca. O vento seria talvez um vento tiroco, que soprava forte quando a maré estava baixando.

            * Ex 16,2-36; Nm 11,4-9 - o maná 

            Sb 16,20-29 diz que o maná se acomodava ao paladar de cada um. Era o pão dos anjos.

            O maná era como um grão de coentro, que é o que se chama na botânica de “támaris manniferas”. Dois insetos chupam a resina desta árvore e faz um excremento, que cai da árvore como gotinhas. Uma reflexão posterior  aureolou o maná, pois foi ele quem alimentou o povo. Então, em Sb 16 temos um midraxe, que é uma releitura do passado, com uma chave teológica.

            * Ex 3,14s - o nome de Deus 

            Este texto é susceptível para duas interpretações.

            1) “Sou o que sou”: neste caso Deus se furtaria de responder a Moisés. Esta recusa de explicar acontece também com Jacó (Gn 32,30). A mesma coisa acontece com Manué (Jz 13,18). O conceito antigo é que quem sabia o nome de alguém tinha domínio sobre ele. Na magia, matar o nome significava matar o dono do nome. Então, não se dá o nome com facilidade para os outros.

            2) “Sou aquele que é”,  não no sentido grego, metafísico, mas no sentido existencial. Sou aquele que é contigo, aquele que te acontece, o Deus da Aliança. Isto responderia  à expectativa de Moisés. É o Deus que se manifesta não apenas nos acontecimentos da natureza, mas também na história, dando sentido aos acontecimentos históricos. Deus faz a história junto com os homens.

            Os LXX traduziram  egw eimi o wn  como  “eu sou o ente”. Há aqui influência da filosofia grega, do “ser absoluto”.

 

"[Apontamentos de aula feitos por Pe. Edson Assunção S. Ribeiro durante seu Curso Teológico no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro]

 

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